Facebook e jogos sociais
Será este o caminho a seguir no futuro dos jogos online?
Faz muito tempo que não escrevo nada neste espaço. Não só a vida pessoal e profissional tem contribuído para isso mas também um relativo sentimento de preguiça tem sido factor importante para este facto. Não sei se voltarei a escrever de forma tão regular mas hoje apeteceu-me voltar a escrever.
Há algumas alturas na vida em que, mesmo que o estejamos a tentar ignorar, um determinado assunto parece estar sempre a aparecer-nos à frente. Um psicólogo diria talvez que o assunto sempre esteve lá e que o que o faz sobressair agora será antes o nosso subconsciente, como que a alertarmo-nos para algo do qual preferimos, constantemente, alhear-nos.
O assunto em questão é sobre os ditos “Social Games” tão em voga em redes sociais como o Facebook. Para a maioria das pessoas este assunto não terá qualquer importância mas para mim, possuindo um blog em que abordo questões relacionadas com MMOGs (Massive Multiplayer Online Games) a questão tem estado a remoer-me.
Jogos?
Talvez o meu entendimento sobre a matéria esteja errado mas, tanto quanto percebo disto um jogo é algo que apresenta um desafio para quem o joga. Poderão os desafios ser físicos, intelectuais ou de simples competição entre jogadores (onde a sorte e/ou perícia de cada um esteja envolvida), poderão os jogos ser destinados a mais do que uma pessoa ou não e poderão, ainda, os jogos ser fúteis (na sua grande maioria são) ou não mas, se não existir o factor desafio, então duvido que estejamos a falar de jogos.
Ora, o “jogo social” que, com mais de 82 milhões de utilizadores registados, melhor representa este grupo de “jogos” é o FarmVille (poderia estar a falar de um qualquer outro jogo acabado em “Ville” ou em “War” presente na rede Facebook que a coisa seria a mesma) mas, daquilo que conheço da aplicação, não vejo qual seja desafio que ela apresenta.

“Eu semeio umas plantas, espero umas horas, depois recolho-as e com isso ganho pontos” que me permitem progredir no dito “ranking” do “jogo”. OK, também existem uns animais e arvores mas o processo é, em quase tudo, semelhante ao anterior. A progressão no dito ranking faz-se pela acumulação de pontos ganhos pela repetição dos processos atrás descritos mas, nisto tudo, onde está o desafio? Existe algo de imponderável ou grau de dificuldade que determine se o utilizador ganha ou não? A resposta é não. Os processos são repetitivos e os níveis de progressão são mais reflexo do tempo que o utilizador dispõe do que propriamente da sua capacidade para resolver um qualquer exercício. Onde está então o jogo? Sinceramente, não sei.
Podem existir outros termos que o reflictam melhor, mas aquele que me vem à cabeça neste momento para definir aquilo que um utilizador do FarmVille, e outros do género, faz será antes um passatempo (eu sei que os jogos são passatempos mas eles são tão somente um dos diversos tipos de passatempos existentes, como o são também, por exemplo, a pintura, o coleccionismo, etc.).
Sociais?
Talvez pela experiência que tenho de MMOGs, mais do que a utilização do termo “jogos”, apelidar estas aplicações de sociais é, para mim, ainda mais irónico.
No actual estado de desenvolvimento tecnológico, o que é que poderia possuir maior grau de interactividade social do que um jogo onde 82 milhões de pessoas podem estar ao jogar ao mesmo tempo, podem até, em teoria, estar todas no mesmo sitio, mas não se conseguem ver ou interagir entre si nesse momento?
A verdade é que, nestes “jogos”, estarem 82 milhões ou estar-se sozinho é exactamente a mesma coisa porque cada um desses utilizadores está e realidades distintas, em que as acções de uns só são percebidas pelos outros em momentos desfasados no tempo e, mesmo a pouca interactividade que existe poderia ser facilmente emulada por um qualquer computador pois a espontaneidade que caracteriza a interacção entre pessoas simplesmente não é possível de replicar nestes “jogos”.
Existe mais interacção entre jogadores de um qualquer jogo online de xadrez ou copas do que em qualquer uma destas aplicações ou, existe mais interacção social em qualquer sala de chat, serviço de mensagens instantâneas ou fórum de discussão do que em qualquer uma dessas aplicações.
Ainda há uma semana, quando fui a um café, estavam duas raparigas com portáteis a jogar (este termo não me sai da cabeça …) FarmVille e a determinada altura estavam as duas na mesma “quinta”. Calculo que a “quinta” fosse de uma delas e mesmo não estando a ouvir ou que diziam era óbvio que estavam a comentar aquilo que tinham na frente. Outras vezes há em que ouço amigos, ou perfeitos desconhecidos, a comentar o estado de desenvolvimento de uma qualquer “quinta”. È neste tipo de acontecimentos que se baseiam para apelidar as aplicações de sociais? Não sou nenhum especialista em sociologia, mas tanto quanto percebo do assunto isto mais não é do que a simples interacção social entre pessoas que possuem um interesse em comum. E, muitas vezes acontece que esses assuntos são modas. Será esse o caso destes ditos jogos?
Para continuar a ler, consulte o meu blogue, aqui.







































